Medo de falhar

9:04 AM





      Desde pequena colocaram todas as expectativas em mim, pelo menos meus pais, nunca considerei que meus avós tivessem feito isso até uns anos atrás quando eu notei que eu talvez fosse a única neta salvação pra eles, só existem duas lá pra constar. E não é porque minha prima é uma péssima pessoa ou é burra, longe disso, mas ela tomou algumas decisões que pra eles e inclusive pra mim, não foram as mais corretas. Ela se formou no colégio tarde e foi tarde também pra faculdade, coisa que nenhum dos outros netos (todos homens aliás) não fizeram. Quando eu comecei a pegar recuperações no nono ano, por preguiça de estudar e até mesmo por conta de dificuldades na temível matemática, eu nem liguei muito, era uma série onde as coisas eram mais lights então eu passaria numa boa, sem estresse, só ia sentar lá, fazer minha prova e ir embora pra casa. E realmente eu fiz isso, fiz todas as provas e fui pra casa comer.

Mas chegou o primeiro colegial e eu achei que poderia seguir igual ao nono, vivendo tranquila e estudando um dia antes da prova e sem me dar conta, eu estava afundando em matemática. No meu colégio é cobrado 70% do total e você tem que ralar se quiser passar e eu passei, mas ralei tanto no final do ano pra passar na recuperação que achei que fosse bombar e esse pensamento me assombrou o primeiro ano inteirinho. Eu não podia bombar, não podia cometer o mesmo erro que a minha prima (que bombou o primeiro 3 vezes), meus pais iam me matar, minha avó ia ficar envergonhada e meus primos iam se perguntar o que diabos eu ainda fazia naquela família. 

A minha prima continua sendo criticada até hoje por essas bombas, eu até me pergunto se isso não afetou ela e nas decisões que ela faz pra vida, mas enfim, eu não queria ser criticada por isso o resto da minha vida.Eu não fiquei de final, passei de ano e quando recebi essa notícia só faltou eu pular em cima do povo na rua (eu estava esperando minha mãe me buscar da psicóloga na esquina quando me ligaram).E hoje, no segundo colegial,  a insegurança voltou, porque mais recuperações apareceram, como por exemplo, geografia. Minha vergonha na hora de contar isso pros meus pais foi tanta que eu só comuniquei um dia depois de intensa preparação psicológica. Eu peguei ao todo três e agora nas férias, período que eu vou perder pra poder me dedicar a elas, eu me pergunto se pelo fato de ir tão mal assim no colégio eu não vou conseguir passar no vestibular que eu desejo, ou, se não vou conseguir me manter na faculdade caso eu passe. 

Enquanto eu escrevo esse texto, eu estou escutando música clássica e chorando, porque não quero ir mal, não quero desapontar meus pais, eles pagam caro demais pela minha educação e caso eu não passe, não consiga entrar, eu vou dar mais despesas pra eles com cursinho. Cursinho não deveria ser uma vergonha, nem recuperação, eu sempre digo isso para as minhas amigas, mas pra mim, é algo que eu não gosto nem de contar ou cogitar sobre, pros meus próprios pais. Ter que admitir uma falha, duas ou três me machuca, me faz sentir não ser capaz de ser alguém, alguém melhor. Estou rodeada de pessoas inteligentes e a cada nota baixa eu me sinto um zero à esquerda, inclusive, meio perdida. 

Apesar de todos esses sentimentos eu preciso correr atrás e recuperar e é isso que eu tento fazer todos os dias, pra provar não só pra eles, mas pra mim mesma, que eu talvez seja capaz de realizar meu sonhos e que talvez eu possa ser a menina de quem eles tanto querem ter orgulho. 

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