A culpa não é da vítima.

8:52 PM

Acho que ontem foi o estopim para nós mulheres nos indignarmos ainda mais. Vemos os estupros coletivos que acontecem na Índia e achamos que uma situação daquelas só será presenciada por nós nos jornais. Ontem uma garota de 16, 17 anos, vejam só, a minha idade, foi estuprada, por não só um, o que já seria motivo suficiente para tal indignação, mas por 33. Sim, vocês leram corretamente. Trinta e três homens.

Vamos começar esse texto explicando a cultura machista que vivemos até hoje, que é repetida, pasmem, inclusive por mulheres. Se você não sabe o que é a cultura machista, vou dar um exemplo que vai te ajudar a entender melhor. Meu avô paterno, não gostava que minha avó saísse na rua para conversar com as amigas, fofoca era coisa de mulher promiscua. Ensinou meu pai que as meninas não deveriam usar batom nem esmalte vermelho. Chegava do trabalho emburrado e era grosso com a esposa, que só servia para os afazeres do lar. Imagine como deve ser crescer ouvindo e presenciando essas coisas.

Meu pai se casou com uma mulher liberal, no caso, minha mãe e quando eu nasci, ele se desesperou. Era ciumento, não gostava que eu usasse shorts. Não gostava, não gosta até hoje na verdade, que minha mãe e eu fiquemos do lado de fora conversando e pior de tudo, tem pavor de vermelho. Quando você é criado com esses conceitos, passa a tornar eles como uma verdade absoluta. Verdades essas que quebramos dia após dia aqui dentro de casa. Ele está melhorando.



Criamos nossos meninos com aquela visão de filme, focado nos esportes, uma bela aparência e com fama de pegador. Por falar em filmes, já notaram que a menina que mais fica com alguém já tem um esteriótipo prontinho? Bunduda, geralmente loira, com certas dificuldades de aprendizado... Criamos nossas meninas acreditando que ser assim é sinônimo de puta. E pior de tudo, criamos conceitos. Explicamos e justificamos o estupro e qualquer tipo de abuso, baseado nas roupas, na classe social e na vida que a pessoa leva. Abuso não é apenas o sexo contra a vontade, é aquela puxada de braço que você leva no meio da balada, é aquela passada de mão e aquele "elogio" nojento que você ganha na rua. Abuso é a ofensa, é a sua diminuição perante a sociedade.

No dia 21 de maio, Amber Heard, atriz, foi agredida por ninguém mais e ninguém menos que Johnny Depp. Estão vendo porque eu digo que o machismo não tem cara? Quem pensaria que Depp, um dos maiores astros do cinema americano, agrediria a mulher, a própria mulher! "Mas Amber o desrespeitou, deveria ter esperado mais um mês para pedir o divórcio por conta da morte da mãe do ator, será que ela não inventou tudo isso para a mídia? E além do mais, quem não gostaria de apanhar de Johnny Depp?" Eu não queria apanhar de ninguém, muito menos de homem e aplaudo de pé a coragem de Amber. Amber não se calou, eu não me calei, nós não nos calamos.

"Parem a violência contra as mulheres."

A cada 11 minutos, 1 mulher sofre abuso no Brasil. Os 10 piores países para mulheres são países sub-desenvolvidos, onde a mulher é tratada com inferioridade. É tratada do jeito que ensinamos os jovens a tratá-las. Elas se calam. Porque a palavra da mulher não é o suficiente.

Eu cansei de ficar calada. Nós precisamos do FEMINISMO, não confundam com femismo, por favor. Precisamos lutar para que essa cultura mude, para que meninas de todas as idades possam viver num mundo sem medo. Isso é ter liberdade.

Um último adendo antes de ir; existe uma proposta de lei que pede para que o atendimento para vítimas de estupro seja negada, assim como o aborto e o acusado só poderá ser julgado com provas. Regredimos cada vez mais...

Eu quero meus direitos.


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