NÓS SABEREMOS

6:22 PM


Vou começar esse texto citando aquele famoso discurso da Jéssica
em Eclipse. O texto de formatura, que fechava um ciclo e que não poderia ter sido usada na minha colação, nós eramos especiais demais para copiarmos. Fizemos o nosso próprio.

"Quando tínhamos cinco, nos pediram que disséssemos o que queríamos ser quando crescêssemos. Nossas respostas foram coisas como astronauta, presidente, ou no meu caso, princesa. Quando estávamos com dez anos, eles perguntaram novamente. Nós respondemos: a estrela de rock, cowboy, ou no meu caso, medalhista de ouro. Mas agora que nós crescemos eles querem uma resposta séria. Bem, quem diabos sabe? Este não é o momento de tomar decisões duras e rápidas, esta é a hora de cometer erros. Pegar o trem errado e ficar preso em algum lugar. Apaixone-se...muito. Se interesse por filosofia, porque não há nenhuma maneira de fazer uma carreira além disso. Mude sua mente e mude de novo, porque nada é permanente. Então, cometa muitos erros, como você pode. Dessa forma, algum dia, quando voltarem a perguntar o que queremos ser, não teremos de adivinhar. Nós saberemos."

Isso me faz recordar aquela época boa do terceiro ano, que eu tinha absoluta certeza de que iria continuar na minha cidade, estudar aqui, fazer faculdade e quem sabe, montar um consultório, afinal, eu tinha escolhido psicologia. Vocês já pararam para pensar no que motivou vocês a escolherem o curso que vão prestar? Eu só parei para pensar nisso agora.

Vamos voltar um pouquinho no tempo, talvez uns 7 anos atrás. Chegar em uma escola nova foi bem complicado na época, se você já está por aqui faz tempo me acompanhando, sabe que por um bom tempo eu sofri bullying e tive que sair do meu antigo colégio. A gente quer se misturar, quer ter amigos novos e no meu caso, tentei recuperar amigos antigos. O resultado disso foram anos de escuta no intervalo, de um ombro amigo, ouvindo os infinitos causos e aflições dos meus colegas. Paixões mal resolvidas, problemas com notas e até mesmo familiares. Era a Anita quem ouvia, era a Anita quem aconselhava.

Aquele titulo de psicologa da sala me destacava de qualquer um, me dava a confiança de quem eu quisesse e a sensação de poder era infinita. Porra, eu sabia (e até hoje sei) de segredos valiosos, que estragavam relações e que poderiam tanto ajudar alguém quanto atrapalhar. Sorte deles que eu permaneço até hoje com a ética do "o que você me conta, fica aqui". Sabe o que eu desconfio? Que essa ideia foi mais longe do que devia, ficou cravada e eu não sabia fazer mais nada exceto, escutar o problema dos outros.

Eu amo moda, amo escrever (ah, jura?) e eu faço coisas de decoração, incríveis. Não sou bonita, seria até demais dizer isso e sou uma péssima fotógrafa. Porém eu sei fazer muito mais do que apenas sentar e ouvir e vamos combinar, são raras as pessoas que aguentam os dramas adolescentes. Eu ainda vivo esses dramas ai pô. Como eu iria ajudar alguém a passar por essa fase se nem eu, a pessoa que vos fala, conseguiu ter uma adolescência plena e legal?

Com 17 anos (nem parece que eu tenho 17, né?) eu quero me aventurar, descobrir o que o mundo oferece e mexer com meu blog. Escrever histórias mega românticas, dançar só de calcinha e sutiã em frente ao espelho e desfilar pela casa com asas falsas me sentindo a própria Josephine Skriver. Eu quero viver e a ideia de ficar trancafiada em uma sala, escutando algumas coisas que talvez eu não vá usar, me aborrece. Me aborrece saber que você tem que decidir o que quer ser agora, nesse exato momento, quando eu nem sei decidir qual é minha cor favorita ou o que levar de lanche pro cursinho.

Foram 2 meses de faculdade engordando e me perguntando onde diabos eu tinha me enfiado. São menos de 12 meses para escolher um novo curso e pasmem, eu tive menos de um dia para decidir se queria ir para o cursinho ou não. Gente... Como a gente vai fazer uma escolha e tomar uma decisão se nem autonomia para ir no banheiro nós temos? Ai vai outra indagação para vocês; como vamos nos tornar adultos com 17 se nem saber calcular o IPVA a gente sabe? Eu nem sabia que tinha esse monte de imposto, para começo de conversa.

Por que vocês, pais, mestres e todo mundo desse mundo, nos ensinaram a calcular o PI (que eu decorei; 3,14) MAS NÃO ENSINARAM A FAZER UM ARROZ?

Eu não estou preparada e aposto que maioria também não e amigo, amiga, você sabe o quão chato é não ter um curso definido. Vamos de novo me usar de exemplo; 5 anos "programados" e ai do nada eu mudei o rumo, dá para imaginar o nó na cabeça dos meus pais? E para ser bem sincera, nem sei se eu estou afim de fazer faculdade, PRONTO, FALEI. Ô mania que o povo tem de colocar quem fez faculdade em um pedestal...

O sacrifício que a gente tem que fazer, tem que querer muito e se você não quiser, vira aquela catástrofe. Resumindo, o fim do mundo. Será que você está pronto para sacrificar as festinhas, a boa vida de sair a tarde sem hora para voltar e andar bem plena, porque sabe que teve tempo para se arrumar? Hmm... Será realmente que sair do terceiro direto para a faculdade é assim tão bom?

Agora que já plantei a sementinha da dúvida na cabeça de vocês e já assumi o que vários queriam saber (sim, eu larguei a faculdade e estou no cursinho) vamos deitar a cabeça no travesseiro e pensar no tipo de pessoa e profissional que queremos ser. No tipo de mundo que queremos construir e se realmente, você está tomando a decisão certa. Pesquise, não tenha medo de pedir um ano para pensar e se preparar e saiba que eu to aqui e se você quiser me mandar um e-mail, eu continuo sendo a psicóloga da sala; só que dessa vez. eu não terei diploma, hehe.

Anita.







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