13 REASONS WHY - PRECISAMOS CONVERSAR

11:03 PM

Precisamos falar sobre Hannah Baker, urgentemente. 


Uma vez, há dois anos atrás, eu li em um artigo que quem cometia suicídio estava querendo acabar com a dor, mas não com a vida. Fiquei pensando por um bom tempo nisso. 


O pensamento de acabar com a vida não surge do nada, não vem de apenas um fator. Eu não vou contar aqui se já pensei ou tentei algo do tipo, deixo isso para a mente fértil de vocês e vamos combinar, é pessoal demais. 


O que Hannah Baker passou, eu não estava preparada para ver. Não estava preparada para ouvir. Vocês realmente acham que aquela garota de 17 anos é apenas um personagem? Hannah representa milhares de meninas e meninos, que acabam encontrando o alívio na morte. Sócrates e Platão já diziam; a morte liberta a alma. 

E foi com essa ideia em mente que numa tarde, ela deitou na banheira, cortou os dois pulsos e agonizou de dor, sangrou até morrer. Dizem que no livro (13 reasons why é um livro) essa morte foi diferente, ela tomou vários remédios. Não importa o modo. 

Eu fiquei a noite inteira pensando se assistiria essa cena ou não. "É muito gráfica, os sons dão desespero". Com toda a garra e força do mundo eu fui, engoli o desespero mas não estava preparada para o pior parte da cena, que não foram os gemidos de dor ou a lâmina passando pela pele. Foram os pais. 

Assim que os pais veem o corpo... Eu não preciso descrever o momento. Eu preciso descrever o que eu senti; impotência. Pular na tela e abraçar Olívia e Andrew Baker não era e nunca será o suficiente. Quantas Hannahs, quantas Jessicas, quantos Alex, Justin e Jeff existem por aí? 

Revire no fundo do baú gigante e vasto que é a sua memória. Pesquise e tente se lembrar da última vez que você presenciou uma cena de bullying? Consegue lembrar? Você participou da cena. Você fez parte daquilo. Você foi um Clay. 

E quantas vezes nós fomos um Clay simplesmente por pensarmos que aquilo fosse apenas uma brincadeira de mal gosto? Quantas vezes rimos de algo que ofendia e magoava, por que era legal? Fomos Clay e talvez sejamos até hoje. 


Alguém já enviou uma foto zoada sua naquele grupo da sala, sem a sua permissão e você se tornou alvo de piada? Ou, te deram um apelido ofensivo, que virou sua marca? Isso é bullying. 

Te inferiorizarem, menosprezarem. E é assim que você começa a sentir cada vez menor, até o mundo te engolir. 

Não preciso nem comentar que uma das primeiras coisas que nos ensinaram em psicologia (nesses dois meses foi o que mais me enfatizaram) é que todos têm direito a ajuda e se ela é falha, a culpa não é sua. Por exemplo, olhem o quão mal preparado era o conselheiro escolar da Liberty High. 


Para encerrar esse texto eu quero que todos saibam que não é vergonhoso pedir ajuda, não é vergonhoso dizer que sentiu vontade de acabar com aquela dor. A dor é tua, quem sente é você e pro que precisar, meu amigo, minha amiga, eu sempre estarei com meu e-mail aberto para vocês. Que a história de Hannah Baker, junto com a de milhares de pessoas, sirva para mostrar que sim, o mundo é cruel. Muito. Porém, mais importante, o quão cruel é o seu bullying e que isso é sim, INACEITÁVEL. 

Anita. 

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